Redes como O Boticário, Cacau Show e Chiquinho Sorvetes trocaram números concretos de expansão no Summit de Expansão da Associação Brasileira de Franchising (ABF), realizado em 20 de agosto em São Paulo. Um caso citado no evento: a rede de estética Gérbera, do Grupo Gérbera (vinculado ao Boticário), foi de 7 para 46 unidades.
O que foi discutido
O Summit de Expansão aconteceu no Welucci Gardens, em São Paulo, reunindo executivos de franqueadoras de portes e setores diferentes para debater o que muda entre expandir de 1 unidade para 50. Entre os temas da programação: os desafios jurídicos da expansão acelerada, internacionalização de redes brasileiras e o uso de dados para decidir onde e como abrir a próxima unidade.
Decio Pecin, vice-presidente da ABF e CEO da CNA, abriu o evento reforçando que o cenário atual exige que as redes reavaliem se seus formatos de negócio ainda fazem sentido diante da velocidade das mudanças no consumo e no empreendedorismo, ponto que serviu de mote para as apresentações seguintes.
Rodrigo Waughan, do Grupo Gérbera (ligado ao Boticário), apresentou o caso da rede de estética Gérbera, que passou de 7 para 46 unidades. Marcos Lopes, da Chiquinho Sorvetes, citou a marca de 15 mil unidades vendidas em potes da linha própria da rede como indicador de escala de operação.
Gustavo Freitas, diretor da Comissão de Internacionalização da ABF, e representantes da Mercadão dos Óculos (rede hoje presente em 6 países, incluindo Portugal e Argentina) trouxeram a discussão para fora do Brasil. Freitas resumiu o desafio central de expandir para outro país numa frase direta: “cada mercado tem uma realidade diferente, com outra logística, parceiros de tecnologias, fornecedores e exige ajustes no posicionamento”. No caso da Mercadão dos Óculos, um dos ajustes citados foi a criação de uma variante da marca em espanhol para os mercados de língua hispânica.
Por que expansão virou o tema do momento
O Summit acontece num momento em que o setor de franquias já mostrou fôlego de crescimento: o primeiro trimestre de 2026 fechou com faturamento de R$ 72,7 bilhões, alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados da própria ABF. Com o setor aquecido, a pergunta que mais aparece entre franqueadores deixou de ser “como atrair o primeiro franqueado” e passou a ser “como manter padrão de qualidade e suporte enquanto a rede multiplica de tamanho”, exatamente o recorte que motivou o evento.
Marcas e nomes presentes
Passaram pelo palco ou pela plateia representantes de CNA, O Boticário, Casa Bauducco, Bob’s, KFC, Vila Trampolim, Cacau Show, Mercadão dos Óculos, FarMelhor e Chiquinho Sorvetes, cobrindo setores tão diferentes quanto alimentação, ótica, fitness e farmácia. Entre os palestrantes e debatedores: Decio Pecin (CNA/ABF), Rodrigo Waughan (Grupo Gérbera), Leonardo Polachini (Grupo Polachini), Arlan Roque (Cacau Show), Gustavo Freitas (Comissão de Internacionalização ABF), Renan Reis (Coordenador Regional ABF Minas Gerais) e Marcos Lopes (Chiquinho Sorvetes). A diversidade de setores no mesmo palco reforça o recorte do evento: os desafios de sair de poucas unidades para dezenas se repetem independente do produto vendido, porque são desafios de processo e gestão, não de nicho.
O que isso significa para você
Se você quer transformar seu negócio em franquia: o caso da Gérbera (7 para 46 unidades) é o tipo de referência mais útil do que qualquer projeção genérica de mercado, porque mostra uma trajetória real de escala, com nome e rede identificáveis. O recado repetido pelos palestrantes vale a pena guardar: o gargalo raramente é achar franqueado interessado, é ter COF, contrato-padrão e processo de suporte prontos para aguentar o ritmo de abertura sem cada unidade nova virar um risco jurídico ou operacional novo. Formatar a franquia direito antes de crescer é o que separa uma expansão de 7 para 46 de uma rede que trava nas primeiras 10 unidades por falta de padronização.
Se você quer comprar uma franquia: saber que uma rede está em ritmo de expansão acelerada, como os casos citados no Summit, é informação relevante na hora de escolher marca. Redes em expansão rápida tendem a ter processo de seleção de franqueado mais aquecido, o que pode significar mais oportunidade de entrar cedo em uma marca em ascensão, mas também exige mais atenção: pergunte especificamente há quanto tempo a franqueadora expande nesse ritmo e o que mudou no suporte oferecido às unidades mais recentes em comparação com as mais antigas. Uma pergunta simples que costuma revelar bastante: peça para falar com um franqueado que entrou há menos de um ano e outro que está há mais de três, e compare o relato dos dois sobre o suporte recebido.
Fonte: ABF
Para entender se faz mais sentido expandir como rede própria ou virar franqueador, veja a comparação de Franquia ou Negócio Próprio, com os critérios que pesam nessa decisão.
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