Franchising cresce 10,1% no 1º trimestre de 2026 e fatura R$ 72,7 bilhões

O franchising brasileiro faturou R$ 72,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). No acumulado de 12 meses, a receita do setor chega a R$ 308,4 bilhões, avanço de 10,7% sobre os 12 meses anteriores.

É o terceiro trimestre consecutivo com crescimento na casa de 10%, o que sugere que o ritmo não é um pico isolado, mas uma tendência que já se sustenta há nove meses. O número de operações ativas alcançou 204.908 unidades ao fim do trimestre. No período, 3,1% das unidades corresponderam a novas aberturas, 1,6% a fechamentos e 0,8% a transferências de uma rede para outra, resultando em crescimento líquido de 1,5% no total de operações. O setor emprega 1,788 milhão de pessoas diretamente, considerando janeiro a março.

Na prática, esse crescimento líquido de 1,5% significa que, para cada 100 unidades que existiam no trimestre anterior, o saldo entre aberturas, fechamentos e transferências deixou um pouco mais de uma unidade nova em operação. É um ritmo de expansão moderado quando olhado unidade a unidade, mas que se soma trimestre após trimestre e ajuda a explicar como o setor chegou a quase 205 mil operações ativas no país.

Quais segmentos puxaram o crescimento

A pesquisa trimestral da ABF registrou alta de receita em todos os segmentos monitorados, mas três se destacaram. Alimentação, na categoria de comercialização e distribuição (que reúne mercados de vizinhança, lojas de conveniência e redes especializadas em cafés e chocolates), cresceu 22%. Saúde, Beleza e Bem-Estar, com cosméticos, farmácias e serviços de cuidado pessoal, avançou 18%. Limpeza e Conservação, puxado por lavanderias expressas e operações self-service, subiu 13,8%. Os demais segmentos acompanhados pela ABF também fecharam o trimestre em alta, ainda que sem divulgação de percentual individual.

Onde estão as franquias no Brasil

O setor já está presente em quase 70% dos municípios brasileiros, segundo a ABF. Na distribuição por tipo de ponto, 60% das unidades operam em lojas de rua, 17,3% em shoppings e 10,3% seguem o modelo home-based, sem necessidade de um ponto comercial fixo. Essa dispersão geográfica e a variedade de formatos ajudam a explicar parte da resiliência do setor em um cenário de juros ainda elevados no Brasil: uma fatia relevante das operações tem estrutura de custo fixo menor do que a de uma loja tradicional em shopping center.

A pesquisa trimestral da ABF é construída a partir de uma amostra que cobre cerca de 35% do faturamento do setor e 33% das operações ativas no país, projetada depois para o total do mercado. É a mesma metodologia usada em levantamentos anteriores, o que permite comparar o resultado trimestre a trimestre. Segundo a ABF, o resultado reflete tanto o desempenho das marcas e dos franqueados quanto um ambiente de consumo interno mais aquecido, mesmo com o custo do crédito ainda pressionado.

O que isso significa para quem quer comprar uma franquia

Um setor crescendo dois dígitos por três trimestres seguidos é sinal de fôlego, mas não é convite para comprar qualquer marca. O crescimento de 10,1% é uma média setorial: dentro dela existem redes abrindo dezenas de unidades por trimestre e redes fechando lojas no mesmo período, e uma unidade fechada não aparece separada no faturamento agregado divulgado pela ABF.

Os segmentos que mais cresceram (alimentação, saúde e beleza, limpeza e conservação) são um bom ponto de partida para pesquisa, mas crescimento de segmento não é garantia de retorno individual. Cada rede tem sua própria curva de payback, sua própria taxa de royalties e seu próprio nível de suporte ao franqueado. Antes de assinar qualquer contrato, vale simular o investimento completo (taxa de franquia, instalação, capital de giro) e comparar o resultado com o desempenho real de franqueados já em operação, não apenas com a média do setor.

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O que isso significa para quem quer transformar seu negócio em franquia

Para quem já tem um negócio próprio funcionando e enxerga no franchising uma forma de crescer sem colocar capital próprio em cada unidade nova, os números do trimestre reforçam dois pontos. Primeiro, a demanda por comprar franquias segue aquecida havendo, inclusive, espaço geográfico para expansão: com o setor presente em apenas cerca de 70% dos municípios brasileiros, ainda sobra território para marcas que queiram crescer via franquia. Segundo, os formatos de baixo investimento fixo têm espaço real de mercado, o modelo home-based já responde por 10,3% das unidades ativas no país, o que mostra que não é preciso depender só de lojas de rua ou de shopping para formatar uma rede.

Isso não significa que transformar um negócio em franquia seja simples ou automático. Antes de vender a primeira unidade é preciso padronizar processos, registrar a Circular de Oferta de Franquia, definir estrutura de taxas e testar o modelo em uma unidade piloto antes de replicar. Um crescimento setorial de 10,1% atrai candidatos a franqueado, mas só marcas com processo e suporte bem desenhados conseguem converter esse interesse em unidades saudáveis no médio prazo.

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Perguntas frequentes sobre o resultado do franchising no 1º trimestre de 2026

De onde vêm esses números?
Da pesquisa trimestral de desempenho do setor de franchising, conduzida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) com base em amostra de marcas associadas e depois projetada para o mercado total.

O crescimento de 10,1% vale para todas as franquias?
Não. É uma média do setor. Dentro dela há redes crescendo bem acima disso e redes fechando unidades no mesmo trimestre, algo que o dado agregado da ABF não mostra rede a rede.

Quantas franquias existem hoje no Brasil?
204.908 unidades em operação ao fim do primeiro trimestre de 2026, segundo a ABF.

Qual segmento de franquias mais cresceu no período?
Alimentação, na categoria de comercialização e distribuição, com alta de 22%, seguido por Saúde, Beleza e Bem-Estar (18%) e Limpeza e Conservação (13,8%).

Esses dados já descontam as franquias que fecharam?
Sim. A taxa de fechamento de 1,6% no trimestre já está refletida no crescimento líquido de 1,5% do total de operações.

O franchising cresce mais em lojas de rua ou em shopping?
Em número de unidades, lojas de rua concentram 60% das operações, contra 17,3% em shoppings e 10,3% no modelo home-based, sem ponto comercial fixo, segundo a ABF.

Crescimento do setor é garantia de que uma franquia específica vai dar certo?
Não. O percentual divulgado pela ABF é uma média de todo o setor. O desempenho de uma marca específica depende do próprio modelo de negócio, da região escolhida e da gestão de cada unidade, por isso a recomendação é sempre avaliar a rede individualmente antes de investir.

Fontes: Associação Brasileira de Franchising (ABF), Pesquisa Trimestral de Desempenho do Franchising; Central do Varejo (publicado em 02/06/2026).

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